A verdade também educa
Yeda Crusius, Governadora do Rio Grande do Sul
O embate político, não raras vezes, vira um tablado onde se defrontam a verdade e a mentira. O fato e a versão. A ação e a bravata. E, como diziam os líderes do passado – “Faça a mentira grande, simples e repetida, e eventualmente muitos crerão nela” –, a enganação tem o condão de multiplicar-se. Todavia, a história nos ensina que o tempo, esse respeitável senhor dos fatos, se encarrega de restabelecer a verdade e repor a razão. Cedo ou tarde, mesmo com alguma dor deixada pelo caminho, elas se impõem. E, diante do que é inconteste, desmoronam as mistificações.
O caso das chamadas “escolas de lata” se enquadra aí. Refiro-me aos módulos metálicos para os quais foram deslocadas, temporariamente, algumas poucas escolas estaduais que estão em reforma. Adversários do nosso governo, que já reformou 2.058 prédios escolares, tentaram vender a exceção como regra e passaram a criticar a solução como se fosse o próprio problema. Mesmo sob ataque, procuramos explicar – com a compreensão de quase toda a comunidade escolar – que tal medida tem cunho transitório e cumpre condições de higiene e estudo: portas, janelas, ventilação, paredes forradas, iluminação, mobiliário adequado e banheiro externo. Nos módulos habitáveis utilizados na Escola Estadual Ismael Chaves Barcellos, em Caxias do Sul, há aparelhos de ar-condicionado instalados.
Esses locais jamais foram o padrão de estrutura escolar no Rio Grande do Sul. Bem distante do que dizem os rótulos mais raivosos, só existem sete escolas que ainda fazem uso desses compartimentos habitáveis como salas de aula, todas em caráter provisório. E se os alunos estão ali por algum período, é porque o prédio onde estudavam estava em situação precaríssima. As novas instalações, algumas concluídas e outras em construção, contemplam todos os requisitos para a realização de atividades escolares, inclusive com equipamentos de acessibilidade e adequação à lei de prevenção a incêndios.
A nós não surpreendeu, portanto, que a Escola Estadual Ismael Chaves Barcellos, localizada no Bairro Galópolis, em Caxias do Sul, ficasse entre as melhores colocadas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do Rio Grande do Sul, apesar de ter 240 dos seus 486 estudantes alojados nesses contêineres – em virtude de incêndio ocorrido em 2008. O esforço de alunos, pais e professores mostrou que, acima de qualquer fábrica de mentiras e maledicências, reina a virtuosa vontade de fazer o melhor. E, ao cumprimentar essa instituição pelo esforço e pelo resultado, o Governo do Estado reafirma seu compromisso com a reconstrução da escola e, ao mesmo tempo, registra o fato de que mais uma falácia se desmascara diante dos gaúchos e das gaúchas. Eis a verdade educando para a vida e para a boa política.
